P&D Design 2020

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O tema do congresso

No âmago do conjunto dos diferentes modos de fazer e agir que se conjugam na cultura brasileira, exibimos uma imensa carência – um precaríssimo entendimento do sentido do projetar. 

Enfrentar este problema, demonstrar maneiras de planejar, programar e projetar é tarefa daqueles que se debruçam sistematicamente sobre o design no Brasil, seja em seu exercício prático seja no desenvolvimento do seu conhecimento através da realização de pesquisas. Em outras palavras: por sermos manifestamente nós, designers, os desenhadores das manifestações desses nossos modos de ser, de cohabitar e de produzir, é que se faz necessário processar a devida reflexão de modo a tornar compreensível o nosso campo de saber.

Por este motivo, pela primeira vez, o P&D Design apresenta um tema: o desenho do campo. O tema avoca a ideia de um campo que, ao se ajustar a mudanças, evolui e ganha novos contornos, ainda que se mantém reconhecível somente entre nós. E que não se faz reconhecível em todo o seu potencial frente à nossa composição social.

As profundas alterações ocorridas ao longo da segunda metade do século 20 – o aumento significativo da participação do setor de serviços na economia mundial e a introdução radical da tecnologia digital, entre outras – ampliaram a demanda por projeto, em escala sem precedentes.

Considerando a sua conformação identitária em princípios do século 20, reiterada nos anos 1950/60 pela escola de Ulm, foi a partir desta última que se pôde definir a ação projetual do designer como apropriação compreensiva de um problema. Que lida com a antecipação de seus impactos, agregados valores na ordem da estética, da técnica e da ética.

Naquela ocasião, o método evidenciou-se como prática e instrumento de análise dos modos de agir frente a situações–problema a serem modificadas. Assim, começou a se delinear a reflexão que constitui a base teórica do campo, hoje multiplicada diante da crescente complexidade social, tecnológica, econômica e ambiental.

As novas circunstâncias passaram a exigir uma adequação dos recursos projetivos utilizados até então, o que supera em muito o simples translado de noções ou habilidades anteriormente estabelecidas.

Para enfrentar questões relativas à configuração de serviços ou mesmo de organizações e políticas públicas, não é suficiente recorrer a instrumentos e práticas tradicionais. Problemas que envolvem tecnologias digitais e sua interação com o usuário conduziram a automação a um protagonismo até então desconhecido ao longo do processo projetivo. A necessidade por compreensão das relações sociais em contextos específicos implica em recorrer a conhecimentos até então não instrumentalizados pelo design.

No entanto, faz-se necessário reconhecer o que intrinsecamente caracteriza o design para além dessas circunstâncias temporais. E assim pode ser feito: fazer design implica a compreensão multilateral de um problema, a ser refinada à medida em que se modelam aproximações à sua solução.

Desse modo, naquilo que tanto aproxima nossos interesses de pesquisa quanto os diferencia, é necessário identificar uma base comum de entendimento. Isto implica necessariamente que sejam identificadas os fundamentos históricos e/ou teóricos sobre as quais se baseiam nossas comunicações, artigos e conversações.

É nesta perspectiva que o P&D Design 2020 pretende avançar, ao refletir sobre as ampliações do campo, seja na pesquisa, seja em sua prática, em busca de uma compreensão compartilhada sobre os enquadramentos conceituais a partir dos quais o design tem se desdobrado. E assim tornar possível nossa melhor tradução à sociedade brasileira.

Organização

O estabelecimento da Escola Superior de Desenho Industrial - ESDI remonta à institucionalização do design no Brasil, no início dos anos 1960. Em um casario de frente para os Arcos da Lapa, na região central do Rio de Janeiro, a ESDI foi idealizada pelos designers Aloisio Magalhães, Alexandre Wollner, Goebel Weyne e Karl Heinz Bergmiller, e teve como referência a HfG-Ulm (Hochschule für Gestaltung, Ulm). 

A escola alemã, fundada na década anterior, buscou rever os ideais da Bauhaus sob a perspectiva da sociedade decididamente industrial do pós-guerra. No momento pelo qual passava o Brasil, de desenvolvimentismo e otimismo, a ideia de uma escola de desenho industrial local mostrou-se significativa para o governo da Guanabara, que pretendia posicionar o então estado na vanguarda do processo de industrialização brasileiro. 

Mais tarde, em 1975, a escola foi incorporada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Tendo iniciado o processo de formação de designers em 1963, a ESDI passou a contar com um curso de mestrado em 2005 e, a partir de 2012, de doutorado.

A ESPM teve sua origem em 1951, no curso de propaganda do Instituto de Arte Contemporânea do Museu de Arte de São Paulo – MASP, quando publicitários e empresários da mídia, liderados por Rodolfo Lima Martensen, com o apoio de seu diretor, Pietro Maria Bardi, e pelo jornalista Assis Chateaubriand, compreenderam que somente com uma escola de excelência poderia haver uma indústria da comunicação forte no país. 

Atualmente, a ESPM tem unidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Florianópolis. A instituição contabiliza 15 mil estudantes e 600 professores distribuídos em oito cursos de graduação, além de oferecer cursos de especialização, mestrado e doutorado. 

O P&D Design 2020 é fruto da parceria firmada entre essas duas instituições, a Escola Superior de Desenho Industrial – ESDI, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e a Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM-RJ.

Coordenação Geral

  • Prof. Dr. João de Souza Leite (PPDESDI/UERJ)
  • Profa. Dra. Ligia Medeiros (PPDESDI/UERJ)
  • Profa. Dra. Eliana Formiga (ESPM/RJ)
  • Profa. Dra. Isabella Perrotta (ESPM/RJ)
  • Prof. Dr. Sydney Freitas (PPDESDI/UERJ)
  • Carolina Noury, Dr.Sc.

Comissão organizadora

  • Alessandra Chazin
  • Claudia Souza e Silva
  • Fernanda Vuono
  • Gustavo Cossio
  • Helga Szpiz
  • Luiza Beck Arigoni
  • Marcelo Rocha
  • Rodrigo Schoenacher (coordenador)

Curadoria dos eixos temáticos

Os curadores dos eixos temáticos foram convidados pela Coordenação Geral do P&D Design 2020, respeitada certa distribuição nacional.

Design no Brasil: quantificação e qualificação

  • Eugenio Merino (UFSC)
  • Ligia Medeiros (ESDI/UERJ)
  • Veranise Dubeux (ESPM-RJ)

Design: História e teoria

  • Isabella Perrotta (ESPM-RJ)
  • Marcos Braga (FAUUSP)
  • Patricia Amorim (ESPM-SP) 

Design e tecnologia

  • João Sobral (UNIVILLE)
  • Nelson Matias (UNIFATEA)
  • Vicente Cerqueira (ESDI/UERJ)

Design e educação

  • Cristina Portugal (PUC-Rio)
  • Eliana Formiga (ESPM-RJ)
  • José Guilherme Santa Rosa (UFRN)

Design e sociedade

  • Barbara Szaniecki (ESDI/UERJ)
  • Lilyan Berlim (ESPM-RJ)
  • Rita Ribeiro (UEMG)

Design, organizações e negócios

  • André Ribeiro (ESDI/UERJ)
  • Karine Freire (UNISINOS)
  • Paulo Reis (ESPM-RJ)

Práticas e ferramentas do design

  • Doris Kosminsky (UFRJ)
  • Mauro Pinheiro (UFES)
  • Priscila Farias (FAUUSP)

Acesso livre

  • Cyntia Malagutti (FAUUSP)
  • Mirella Migliari (ESPM-RJ)
  • Paulo Cesar Ferroli (UFPR)

Curadores dos Seminários

1. Design e cidade

  • Barbara Szaniecki (ESDI/UERJ)
  • André Luiz de Carvalho (ESDI/UERJ)
  • Gabriel Schvarsberg (ESDI/UERJ)

2. O paradigma da Bauhaus

  • João de Souza Leite (ESDI/UERJ)
  • Wandyr Hagge Siqueira (ESDI/UERJ)